O Banco Alentejano

Cada banco ou cadeira alentejana, tipicamente empalhada com plantas naturais, é diferente das suas semelhantes,  através  das técnicas de empalhar, que lhe compõem o assento e o encosto. Contrariamente ao espírito contemporâneo de massificação, cada artesão, compõe um objecto diferente, decorrente do ensinamento que recolheu - sendo este particular da sua zona geográfica e correspondentes meios, matérias-primas e hábitos que reconhece como seus.
São várias as tipologias de assento que se encontram dentro desta categoria de mobiliário alentejano, dependentes do local e função a que se destinam – quer seja à lareira no Inverno ou às soleiras das portas no Verão; à mesa ou no auxílio de uma qualquer tarefa doméstica ou de lavoura. Temos então cadeiras mais altas (ou normais), baixas (ou de costura) , cadeiras infantis, cadeirões de braços ou ainda os bancos.   
O material utilizado para a construção da estrutura da cadeira ou banco é a madeira –  sendo a mais utilizada o loendro (mas também o choupo, saísso, oliveira, azinheira, sobreiro ou mesmo pinho). As traves facilmente reflectem a rudeza e a pertença ao meio natural. Cortam-se directamente das árvores, à medida da necessidade – mais direitas para as pernas da cadeira/banco e ligeiramente mais curvas para o encosto (geralmente de secção quadrada ou rectangular, ou, mais pontualmente circular), unindo-se umas às outras através de furos e travessas. 

Depois de montada, a estrutura começa a empalhar-se primeiro pelo encosto e só depois o assento.
Para o empalhamento, é utilizado o buinho - planta natural que nasce junto dos rios e ribeiras e é colhida desde Maio até ao fim de Junho, para estar depois pronta a trabalhar durante o ano inteiro. Como alternativa, são também utilizadas a junça, tabúa ou corda de sisal. Depois de colhido, o buinho deve ser seco à sombra, para que não perca a sua cor natural e para mais tarde ser rachado e preparado para o empalhamento. Através da utilização deste material obtemos uma cadeira/banco mais leve e de assento flexível e confortável.
A última etapa é a eventual decoração. Os primeiros exemplares desta tipologia de mobiliário alentejano primavam pela manutenção das cores naturais das matérias-primas, e só a partir do século XVIII surge a “cadeira pintada”. Mais tarde, a partir do século XIX conhece-se a decoração com motivos florais, que chegou até aos dias de hoje.

Um artesão experiente demorará cerca de um a dois dias a fabricar uma cadeira e, cerca de três, para produzir um cadeirão, visto ser um objecto de maiores dimensões.
Este era um ofício essencialmente praticado por homens, sendo que algumas mulheres se dedicavam ao empalhamento.


"O sucesso deste mobiliário deve-se, em primeiro lugar, à qualidade e robustez de construção, ao rigor geométrico, à qualidade ergonómica e mais recentemente às suas alegres cores e aos desenhos expressivos que o destacam de produções de outras regiões nacionais.
É que estes projectos alternativos à grande produção industrial, têm uma característica que os torna especiais: o facto de num mundo de hiperartificialidade eles respeitarem, na generalidade as características naturais dos materiais de que são feitos. Isto transforma-os numa importante parte do espaço habitado." (1)




3. Cadeira Tradicional Alentejana

  
1. Cadeiras Tradicionais Alentejanas

   
2. Cadeiras Tradicionais Alentejanas



                             
                                  4. Banco Tradicional Alentejano



    
5. Cadeira do Alentejo (pormenor empalhamento)




Referências:

- (1) PARRA, Paulo - O Mundo Alentejano - Alentejo: uma das culturas europeias mais antigas. 1ª ed. Lisboa : Artes da Casa, 2011.
- Produtos Artesanais : Cadeiras - com loendro e buinho da ribeira se faz uma cadeira [em linha]. Moura, - 2011. [Consult. 2 Setembro 2011]. Disponível em : <http://www.adcmoura.pt/html/produtos arte.htm>.
- Museu da Luz, Exposições Rotativas - Dar Voz aos Objectos : A Cadeira [em linha]. Aldeia da Luz,  - 2011. [Consult, 2 Setembro 2011]. Disponível em : <http://www.museudaluz.org.pt/documentos/1268227783M8IOG6zk8lm30OC7.pdf>.